Meditando no Enredo - #8 Ergo Proxy: Um herói sem propósito!
Esse
é um artigo que busca desenvolver melhor alguns assuntos propostos de
forma mais tímida por alguns animes. Normalmente o artigo se desenvolve
comparando fatos da realidade, com o assunto proposto no anime escolhido
da semana, e justificando/explicando fatos comuns nos animes.
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Na última edição desse artigo mergulhamos profundo no confuso e desconhecido mundo de Aku No Hana, onde conhecemos toda a face do "Mal Do Século" investigamos um pouco da Rotoscopia, e passamos por um mar de loucuras e insanidades despejadas na incrível obra de Shuuzou Oshimi. Essa semana, para relaxar um pouco do clima tenso vamos falar sobre uma obra AINDA mais complicada que a anterior, bem vindos a Ergo Proxy...
Você já conhece Ergo Proxy? Vou falar bastante dele, vai existir sim spoiler, então se não conhece vou deixar aqui um link para você passar a conhecer.
Hoje vou apenas falar da obra, contar um pouco do que aprendi assistindo, citar um pouco das referências da obra, no geral, vamos apenas falar sobre, okay?
Na última edição desse artigo mergulhamos profundo no confuso e desconhecido mundo de Aku No Hana, onde conhecemos toda a face do "Mal Do Século" investigamos um pouco da Rotoscopia, e passamos por um mar de loucuras e insanidades despejadas na incrível obra de Shuuzou Oshimi. Essa semana, para relaxar um pouco do clima tenso vamos falar sobre uma obra AINDA mais complicada que a anterior, bem vindos a Ergo Proxy...
Você já conhece Ergo Proxy? Vou falar bastante dele, vai existir sim spoiler, então se não conhece vou deixar aqui um link para você passar a conhecer.
Hoje vou apenas falar da obra, contar um pouco do que aprendi assistindo, citar um pouco das referências da obra, no geral, vamos apenas falar sobre, okay?
Ergo Proxy, ou conhecido no Japão como algo semelhante a "Erugo Purakushī" é uma obra que estreou no canal Japonês "WOWOW" em 25 de Fevereiro de 2006, sendo dirigido por Shikou Murase (Gangsta, Witch Hunter Robin...) e com roteiro de Dai Sato (Freedom, Eureka Seven...) produzido pelo estúdio Manglobe (Deadman Wonderland, Gangsta...). A obra cheia de elementos góticos, psicológicos e Cyber Punk, foi inicialmente muito bem recebida, apesar que após se revelar de fato, acabou sendo bastante contestada tanto no Japão, quanto fora. Porém apesar de não ter conquistado todos os corações, conseguiu boa reputação, e posteriormente em julho de 2008 a Geneon Entertainment e a Funimation Entertainment até mesmo trouxeram oficialmente o DVD da obra para ser comercializada na América do Norte, dando sinal de que a obra era lucrativa o suficiente para ganhar investimento, mesmo fazendo mais de dois anos do lançamento original. De 2006 até 2007 também foi lançado um mangá com o nome de "Ergo Proxy: Centzon Hitchers and Undertaker" inspirado no universo da obra, o mangá bastante curto encerrou com apenas 2 volumes, totalizando 10 capítulos.

A Manglobe ousou ao projetar Ergo Proxy, a equipe foi ousada, e provavelmente nunca pensaram em lucrar (Talvez por falta dessa gana de lucro que acabaram falindo ano passado). Ergo Proxy foi feito em um estilo de animação novo para sua época, a mistura de 2D com uma modelagem computadorizada em 3D chama atenção a distancia, assim como a protagonista feminina, Re-l, que para quem não notou foi inspirada em Amy Lee, vocalista da banda ocidental Evanescence (acho que não preciso apresentar...). Além da parte gráfica ousada, o anime vem trazendo um enredo complexo, confuso e profundo. De fato o público alvo da obra é Seinen, ou seja, um público mais velho e definido na vida, mas o que você precisa saber é que para entender completamente a obra você vai precisar de muito conhecimento filosófico extra...
Ergo Proxy nos apresenta a um terrível futuro distópico onde um apocalipse ambiental finalmente ocorreu, e o que resta no mundo são algumas "cúpulas" onde a vida humana pode existir sem problemas. A história se inicia em um dessas cúpulas conhecida como "Romdo" um lugar onde quase tudo é artificial, e a vida humana quase beira a perfeição. Em Romdo seres humanos são gerados através de úteros artificiais, e cada pessoa já nasce com sua "raison d'être" ou literalmente "Razão de ser". Liderada por Donov Mayer, avô da protagonista da história, a população de Romdo quase não tem vontade própria, e vivem baseados em ordens, e em sua própria razão de ser. Cada humano nesse futuro anda acompanhado por um Autoreiv (Android) que os auxilia em seus afazeres cotidianos. Tais Androids tem uma inteligência artificial tão profunda, que podem até mesmo compreender dilemas humanos e os auxiliar a encontrar respostas, mas apesar disso eles não tem de fato uma existência. O enredo começa a correr de fato quando um vírus nomeado Cogito começa a infectar os Autoreiv, e faz com que eles comecem a agir por vontade própria, e isso muitas vezes acaba em assassinatos e desastres.
Ergo Proxy carrega logo em seu enredo inicial algo extremamente incomodo! Vamos pensar sobre o enredo? Cada humano nasce com uma Razão de Ser "de fábrica", isso já vai contra o que acreditava Soren Kierkegaard, filósofo e teólogo dinamarquês do século XIX considerado pai do existencialismo, que sustentava a ideia de que "indivíduo é o único responsável em dar significado à sua vida e em vivê-la de maneira sincera e apaixonada". Bom, o que há de tão ruim em ir contra as palavras de um filósofo antigo não é mesmo? Basta assistir Ergo Proxy, e é fácil entender como ir contra esse caminho natural pode acabar sendo ruim... O Vírus Cogito, que chega para arrasar com a complexa sociedade, nada mais é que a

Dividindo protagonismo com Amy Lee (Re-l) temos Vincent Law, um estrangeiro que logo de inicio aparenta ser diferente de qualquer outro humano, afinal ele parece não ter uma razão de ser. E de fato não tem mesmo... Do lado de fora do domo apenas poucas pessoas doentes e miseráveis vivem. O céu coberto por nuvens negras impede o sol de aparecer, a terra devastada, o vento que corre livre sobre a superfície vazia, a escuridão e a solidão. A morte parece estar livre sobre a terra, e não permite que nem mesmo as mais asquerosas criaturas sobrevivam. Por que precisaríamos de um herói? Não precisamos... Vincent nem precisa se incomodar em tentar ser um...
Vamos a reflexão! Pode ser sincero agora: Quantas vezes não quis ser protagonista de um enredo pós apocalíptico? Combater Zombies, Titans, Kabanes, seja o que for, existe um inimigo, que tornou a terra impossível de ser habitada, e você, o herói, tem como objetivo reaver a terra para os seus, matar o vilão, e

Em Romdo quem reina é Donov Mayer, um homem velho e debilitado, com ideais bastante questionáveis, e que se faz existir através de quatro estátuas baseadas em obra algumas das obra de Michelangelo, e que são nomeadas em homenagem a quatro grandes filósofos: Derrida, Lacan, Husserl e Berkeley. Tal homem tem como ambição dominar a tecnologia há muito deixada por ancestrais humanos, para agirem como deuses sobre a terra, chamados Proxy. Em todo o caos do enredo, encontramos o nosso protagonista Vincent Law, se descobrindo ser o "Mensageiro da Morte", aquele que vem para marcar o fim de algo, nesse caso aparentemente o fim da existência humana, fato que mais tarde vem a se desenrolar com o verdadeiro fim de Romdo, mas o prevalecimento da raça humana. Em cenário de fundo, o anime nos revela a verdadeira função dos proxy, que foram deixados para preservar cada domo, mas quando suas missões terminassem, certamente morreriam, sem nenhum tipo de recompensa ou motivo, tal função descontrolou a maior parte deles, e por um tempo perturbou até mesmo Vincent Law, que busca uma razão de ser. Um protagonista desmotivado, e que se descobre como vilão.
Ergo Proxy é complexo, filosófico, e tem em seu enredo alguns sub temas bem incomuns em animes como o

Já tive a oportunidade de ler comentários de pessoas que afirmam que Ergo Proxy não é interessante, e nesse texto do inicio ao fim eu preferi provar ao contrário; é interessante até demais. Um futuro pós apocalíptico onde há solução é uma fantasia tão egocêntrica, que chega a ser infantil. Muitos desejam viver uma situação semelhante, e depositam essa vontade em obras que seguem esse ritmo egocêntrico de destruir o mundo, para um herói salvar e reconstruir, para no fim ser como era antes. Após os Titans morrerem, os Zumbis perecerem, e os Kabanes desaparecerem, o mundo enfim volta a ser normal, sem existência do sobrenatural, aventuras ou heróis. Após o vilão morrer, um herói é desnecessário, e perde a sua "raison d'être", após a guerra soldados se tornam indesejados, são tratados como desequilibrados e afastados da sociedade. Em Ergo Proxy, para começo de conversa nunca foi necessário um herói, e no fim ninguém acabou se tornando o grande vilão, o enredo apenas iniciou, passou, e aconteceu; sem deixar para trás grandes culpados ou heróis, uma obra singular e bastante interessante de observar.

Bom, isso é tudo por hoje pessoal! Comentem abaixo sobre tudo falado aqui, e até a próxima...
Meditando no Enredo - #8 Ergo Proxy: Um herói sem propósito!
Revisado por Kouichi Sakakibara
em
sexta-feira, junho 10, 2016
Nota:

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